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Entrevista: A realização da pessoa no celibato sacerdotal

Detalhe da Capela Central das Irmãs Paulinas, em são Paulo
Na última sexta-feira, 5 de março, terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

Zenit entrevistou o professor Polaino, quem, em sua conferência, explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

Fonte: ZENIT

ENTREVISTA E TESTEMUNHO - Dom Erwin Krautler

Dom Erwin Kräutler, bispo prelado de Xingu, no Pará, atendeu a imprensa e o público em geral, dia 29, às 15 horas no auditório da Paulinas Livraria, na Vila Mariana, em São Paulo.
Há mais de 40 anos na região Amazônica , Dom Erwin, 70 anos, passou mais da metade da vida colaborando com as missões no Brasil e teve em sua Prelazia a missionária Dorothy Stang, morta por pistoleiros em 2005.

Hoje, preside o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismo da CNBB para a causa dos povos indígenas e, por extensão, a causa dos pobres.
O bispo vive sob proteção de policiais militares do Estado do Pará por causa das constantes ameaças de morte e agressões por sua atuação em defesa da dignidade e direitos dos povos indígenas. São várias as denúncias contra fazendeiros, madeireiros, comerciantes e políticos da região, inclusive denúncias de abuso sexual, práticas de trabalho escravo e prostituição infantil.

Dom Erwin falou dos impactos na vida da população e no ambiente da região se levado adiante o principal empreendimento previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
Dom Erwin deu suas motivações pelas quais é contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.
No final,  atendeu o público com o lançamento do seu  livro "Servo de Cristo Jesus" no qual dá seu testemunho de pastor e missionário.

ENTREVISTA: Dom Erwin Krautler

Dom Erwin Krautler, bispo da Prelazia do Xingu (PA), presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), hoje, 29, concede entrevista coletiva e dá autógrafos no seu livro "Servo de Cristo Jesus", na Livraria Paulinas, Metrô Ana Rosa, São Paulo.

Curriculo
Dom Erwin nasceu na Áustria. Fez seus estudos iniciais em Koblach (1945-1951) e Feldkirch (1951-1958), na Áustria. Ingressou na Congregação do Preciosíssimo Sangue. Em Salzburg, realizou seus estudos de filosofia (1959-1962) e teologia (1962-1965). No dia 3 de julho de 1965, em Salzburg, foi ordenado padre. Foi enviado ao Pará como missionário em 1965, onde seu tio Eurico Kräutler era bispo.
Atividades antes do episcopado
Padre Erwin foi Vigário Cooperador de Altamira (1965-1979); pároco de São Francisco Xavier de Souzel (1979-1980); reitor da Escola Apostólica São Gaspar, Altamira, (1967-1974); professor de Filosofia Educacional e Psicologia Educacional no Instituto Maria de Mattias, Altamira (1966-1980); ecônomo da Prelazia do Xingu; encarregado pastoral de Vila Vitória. Recebeu a cidadania brasileira em 198
Episcopado
No dia 7 de novembro de 1980, o Papa João Paulo II nomeou o padre ERWIN KRÄUTLER para a função de prelado coadjutor da Prelazia do Xingu. Recebeu a ordenação episcopal em Altamira, no dia 25 de janeiro de 1981, pelas mãos de Dom Carmine Rocco, Dom Alberto Gaudêncio Ramos e de Dom Eurico Kräutler.
No dia 2 de setembro de 1981, aos 42 anos de idade, é nomeado bispo prelado do Xingu.
Lema: Servus Christi Jesu (Servo de Cristo Jesus).
Atividades durante o episcopado
Foi bispo coadjutor do prelado de Xingu (1981); bispo prelado do Xingu pleno iure a partir de 1981. Foi presidente do Conselho Indigenista Missionário (1983-1991); membro da Comissão Episcopal de Pastora da CNBB, responsável pela dimensão missionária (1995-1998). Foi delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo Papa João Paulo II (1997). Novamente Comissão Episcopal de Pastora da CNBB, responsável pela dimensão missionária (1999-2003).
Premiações e menções honrosas
2006
Prêmio José Carlos Castro de Direitos Humanos concedido pela OAB-PA.
Indicação para o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, do Parlamento Europeu.
2004
Prêmio GlobeArt, Áustria.
1993
Doutor honoris causa em Teologia, concedido pela Fakultät Katholische Theologie der Otto-FriedrichUniversität (Bamberg, Alemanha).
1992
Prêmio Dr. Toni Ruß, concedido pelo jornal Vorarlberger Nachrichten (Áustria).
Cidadão honorário de Altamira, concedido pela Câmara Municipal de Altamira.
Prêmio Dr. Karl Renner, concedido pela cidade de Viena.
Doutor honoris causa em Teologia, concedido pela Theologische Fakultät Luzern (Lucerna, Suiça).
Doutor honoris causa em Ciências Sociais e Econômicas, concedido pela Leopold-Franzens-Universität (Innsbruck, Áustria).
1991
Prêmio Dr. Bruno Kreisky de direitos humanos (Viena).
1989
Prêmio Binding, pelo engajamento na proteção do meio ambiente, concedido pelo Principado de Liechtenstein.
1988
Prêmio Oscar Romero de Direitos Humanos, concedido pela KMB (Organização dos Homens Católicos da Áustria).
Sucessão
Dom ERWIN KRÄUTLER é o 3º bispo prelado de Prelazia do Xingu, sucedeu a seu tio Dom Eurico Kräutler.